Por que troquei meu "Opinionated Linux" autoral (DIY) pelo Omarchy
Tô usando o Omarchy como setup principal desde 26 de junho de 2025, dia em que o DHH lançou a primeira versão. Antes tinha meu "Opinionated Linux" autoral (DIY), o mclovin-ARCHived: um installer Arch + i3wm com tudo configurado do meu jeito. Era controle total sobre o SO: eu decidindo o que entra, mantendo cada peça (i3wm, polybar, picom, kitty, dotfiles) atualizada e fazendo elas conversarem entre si pra o SO inteiro funcionar. Servia bem, mas era custoso de manter atualizado: sempre desbravando algum TUI novo pra resolver um probleminha, e trocar de CPU ou notebook era ver compatibilidade de tudo e ajustar pra cada máquina.
O Omarchy resolveu isso entregando o mesmo tipo de setup, só que com uma comunidade inteira por trás, trabalhando e discutindo melhorias toda semana. Aprendo algo novo o tempo todo.
Tema: Osaka Jade
Por que o Omarchy
O Omarchy é uma distro Arch opinativa criada pelo David Heinemeier Hansson (DHH), criador do Rails, do Basecamp e do Hey. Por baixo é Arch Linux + Hyprland, mas vem com tudo pré-configurado: lock screen, menu bar, bluetooth, temas, atalhos. Nada de instalar pacote por pacote.
O que me convenceu: Hyprland puro é bonito mas cru. Sozinho ele te deixa configurando coisas básicas por semanas. O Omarchy escolhe defaults bons e te entrega um sistema pronto pra trabalhar poucos minutos depois do boot.
É irmão do Omakub, versão Ubuntu da mesma ideia. Quem quer Linux com curva mais suave vai pro Omakub, quem quer Arch sem perder dois dias configurando vai pro Omarchy.
Temas
Um dos pontos fortes do Omarchy é a comunidade de temas. O omarchythemes.com reúne dezenas de temas prontos pra instalar com um comando, e a paleta inteira muda junta: terminal, editor, status bar, lock screen, wallpaper. E a troca é instantânea. Um atalho, dois segundos, todo o sistema já tá com o novo visual. Impressionante toda vez. A hero shot lá em cima tá com o Osaka Jade. Abaixo, um dia a dia com o Rose of Dune.
Tema: Rose of Dune
De onde vim
Voltei pro Linux saindo de um MacBook M1 com 16GB de RAM. Vários fatores pesaram: o Docker estourava a memória e no Mac RAM é soldada, não dá pra subir, precisa comprar um novo (e configurar com mais memória vira coisa burocrática e cara); pra ter um tiling window manager precisava desabilitar parte da proteção do sistema (o SIP) pra forçar o Yabai (tiling WM pra Mac), e qualquer update do macOS quebrava algo; e queria saber o que tava rodando na máquina, já que Mac, Windows e até Ubuntu vêm cheios de coisa que você não pediu, mandando telemetria sem transparência. Até o Chrome no macOS instala um daemon silencioso chamado Keystone por trás (vale ler o chromeisbad.com). Trocar pra Arch era o caminho natural.
Construí o mclovin-ARCHived pra automatizar a instalação do meu setup Arch + i3wm + polybar + neovim + dotfiles. O nome era referência ao McLovin do filme Superbad, era basicamente meu "script superbad".
A referência inicial foi o Omakub do DHH, que mostrou o padrão "rodar um script e ter tudo pronto". Não fui pro Omakub direto porque anos atrás já tinha usado muito Ubuntu e não curtia o estilo do GNOME, queria algo mais personalizável e tiling. Mas a ideia ficou.
Outras inspirações:
- ML4W, outro projeto de automação de Arch que cheguei perto de adotar
- typecraft_dev no YouTube, com tutoriais de Hyprland, i3wm, Neovim e Arch
- caffeine.wiki/x220, onde o Rodrigo Franco (caffo) personalizou o Arch + dwm num Thinkpad X220 pra ter uma máquina barata, durável e discreta pra trabalhar em qualquer canto (cafezinho de bairro suspeito incluso)
O installer fazia o trabalho. Mas era trabalho de manter sozinho.
Por que migrei
Ter installer próprio é divertido até o dia que você precisa fazer o display manager funcionar com a webcam nova. Ou descobrir que aquele AUR helper que você escolheu três anos atrás virou abandonware. Ou ver que o tema do polybar quebrou porque a fonte mudou de nome num update.
Tudo isso é resolvível. Mas resolvível por uma pessoa só não escala bem.
Como uso Ruby on Rails, sempre acompanhei o trabalho do DHH. O Rails é o que ele chama de omakase (em japonês, "deixa comigo, eu escolho"): você usa os defaults bons que vieram com a caixa, sem ficar configurando cada peça. Omakub levou a mesma ideia pro Ubuntu, e em junho de 2025 saiu o Omarchy, omakase pra Arch + Hyprland. Continuação natural. Entrei no dia 1.
Acompanhar cada release desde o início faz parte da graça. O sistema fica mais redondo a cada versão, e a vista de perto da evolução compensa uns perrengues no caminho.
Quando faz sentido pra você
Antes da checklist prática: o Omarchy faz sentido se você é curioso pra entender como Linux funciona na prática. Vai acompanhar o projeto, atualizar, eventualmente quebrar o SO e ter que formatar pra arrumar. Não é caminho pra qualquer um. Mas é assim que se ganha conhecimento real de como o sistema funciona, em vez de só usar de longe.
Omarchy é ótimo se você:
- Quer Arch + tiling WM mas não quer gastar dias configurando
- Curte a pegada omakase: defaults opinativos, convenção sobre configuração
- Tá disposto a aprender Hyprland (ele tem suas pegadinhas)
Sobre hardware: roda bem até em máquinas antigas. Vários Macs com Intel que estavam parados em gaveta voltaram pra ativa rodando Omarchy. Alguns hardwares ficam mais difíceis de configurar, mas a comunidade no Discord e no GitHub do projeto geralmente já passou pelo problema e ajuda a resolver.
Não é pra você se quiser configurar cada bit do sistema na mão (nesse caso, Arch puro é o caminho), ou se prefere KDE/GNOME (Omarchy é Hyprland-only por design).
Finalizando
Manter um installer próprio de Linux foi uma fase boa, aprendi muito. Mas chegar no Omarchy é poder usar a mesma filosofia sem ser o único responsável por mantê-la.
Formato o computador e em poucos minutos tenho tudo configurado de novo. Mac não funciona bem assim, Windows muito menos.
E nem tudo é escrito em pedra. Ainda quero montar um "Opinionated Script" pro macOS com keybindings e tiling window manager parecidos com o do Omarchy, já que preciso do macOS pra usar Xcode e publicar pra iOS. Faz sentido deixar a máquina configurada na mesma pegada, sem ter que viver dentro dela. Com IA hoje, montar um script desse é tranquilo.
Pra quem quer Arch produtivo no dia a dia sem virar o mantenedor solo, Omarchy é a melhor pedida.
Fontes:
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